SOBRE A CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA DE 2021


Caro leitor e estimada leitora, a (CFE) Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano 2021, com o Tema: “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor”, por um lado, despertou interesse e abertura ao diálogo; por outro, acirrou a polarização ideológica vivida no país, causando resistência por parte de alguns grupos considerados conservadores, dentro e fora da Igreja. Quando o debate democrático é despertado na sociedade a partir de uma temática, com respeito e tolerância, é positivo, mas se cada indivíduo em sua particularidade ou grupo, visa defender interesses próprios, esvazia e empobrece o objetivo comum.


Com a polarização aos extremos e com o tom agressivo, tanto no campo político como religioso, as pessoas têm encontrado certa dificuldade para dialogar. O outro, que é diferente, é visto como uma ameaça e não como alguém que pode somar por trazer um olhar diferente. Não havendo diálogo, não há amadurecimento humano individual e coletivo. E essa dificuldade estalou-se também sobre a Campanha da Fraternidade. O Texto-base além do seu profetismo literário, manteve a metodologia que vem sendo usada, está embasado nas Sagradas Escrituras. Os dados apresentados estão ancorados em pesquisa científica. A meu ver são cinco pontos que geraram polêmicas e causaram rejeições.


O primeiro refere-se à crítica que o texto faz sobre o “Discurso negacionista” sobre a Covid-19 e a “negação da ciência” sobre o papel da (ONU), Organização das Nações Unidas, e da (OMS) Organização Mundial da Saúde no combate à pandemia. O segundo ponto é sobre a “necropolítica”, a acolhida e a defesa dos direitos humanos em relação às minorias: juventude negra, mulheres, povos tradicionais, imigrantes, grupos LGBTQI+, todos que, por causa de preconceito e intolerância, são classificados como não cidadãos, isto é, são excluídos do sistema. O terceiro é a crítica feita em relação ao governo federal e de uma parcela significativa da sociedade, à resistência ao isolamento social e as orientações de combate ao Novo Corona vírus.


Outro fator seria uma crítica às igrejas que continuaram abertas naquele começo de quarentena, apesar de as aglomerações causarem contaminações e mortes. Os líderes dessas igrejas pressionaram para que elas fossem incluídas entre as “atividades essenciais”, como se os templos não pudessem buscar alternativas não presenciais de acolhimento e de recursos financeiros. Por fim, a criação do grupo de trabalho para a elaboração do Texto-base incluiu um cientista social, uma doutoranda em semiótica, um doutor em línguas vernáculas e uma teóloga feminista. Porém, depois de formulado, o texto foi discutido e aprovado por líderes católicos, um líder da Igreja Ortodoxa, seis líderes evangélicos de igrejas protestantes históricas e um líder pentecostal.


Ressalto que o Conic não tem vinculação político-partidária. O que orienta o órgão é o Evangelho. Quem se orienta pela prática de Jesus sabe que Ele nunca incitou a violência, a intolerância e o ódio. Se os que se consideram conservadores, acusam os progressistas de ideológicos, esses acusadores acabam cometendo o mesmo erro de posição ideológica oposta. A intenção da campanha é unir forças através do diálogo na busca pela justiça e paz. “Do que era dividido, fez uma unidade” (Ef 2,14). O clamor é pela união. Deus criou seres humanos diferentes, mas com a capacidade de dialogar e aprender com as diferenças.


Portanto, é evangélico que cada um de nós, cristãos, abrace a proposta ecumênica com o coração aberto, afastando o que divide. Diante dos empasses da vida, onde as radicalizações e polarizações se manifestam, os remédios são o diálogo e a fraternidade entre irmãos. Um exemplo belíssimo de diálogo foi a recente visita do Papa Francisco ao Iraque: “Eu venho entre vós como peregrino da paz em nome de Cristo”, disse Francisco. No encontro com o maior líder religioso do Islã, Aiatolá Ali aL-Sistani, a motivação foi a busca pela fraternidade e o diálogo inter-religioso. Para as autoridades iraquianas o Papa pediu: “calem as armas e a violência, o que constrói a paz não é o poder, a força, mas a fraternidade e o respeito pela vida”. Lembremo-nos dos diversos diálogos que Jesus teve com pessoas de outra cultura, raça e religião, por exemplo, o diálogo com a Samaritana. Naquele diálogo houve quebra de preconceito de raça, gênero, religião e ideologia política. Jesus nos ensina que o diálogo constrói pontes e derruba muros, gera vida e elimina o ódio. Lembremo-nos também que os excluídos e marginalizados sempre foram e são os preferenciais de Jesus. Que postura devemos assumir como cristãos em relação à Campanha da Fraternidade Ecumênica?

Pe. Sebastião Fernandes Daniel, C.Ss.R.


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