Aprofundando a nossa fé

O que é a Teologia da Prosperidade?

Hoje me dedicarei a responder esta pergunta que veio de um nosso leitor, e me foi passada pelo meu caríssimo confrade Pe. Américo de Oliveira, C.SS.R., reitor da Basílica de São Geraldo. A Teologia da Prosperidade é um modo de compreender a fé, enfim, de rezar e agir, muito difuso em algumas das novíssimas denominações cristãs de caráter neopentecostal. Tal visão da fé é extremamente questionada, e veremos porque, sendo compreendida por muitos teólogos como uma deturpação da fé em Cristo Jesus.


Onde nasceu tal teologia?


Propriamente, a teologia da prosperidade tem seu nascimento em data muito recente, mais ou menos os anos 1950, nos Estados Unidos, no interior do protestantismo recente nos assim denominados healing revivals (avivamentos de cura), sendo difusa principalmente a partir dos anos 70/80 através dos movimentos de televangelismo (programas de TV guiados por pregadores midiáticos sem ligação com uma Igreja específica) e pelo movimento neopentecostal.


O que diz esta teologia?


Trata-se de uma leitura descontextualizada e desconectada da tradição bíblica, principalmente o Antigo Testamento, que compreende o texto bíblico como uma espécie de “contrato”, quase-comercial, entre Deus e o indivíduo. Tal leitura baseia-se quase que essencialmente sobre o aspecto econômico, com incidência na vida de um indivíduo, desconsiderando todo o importante aspecto comunitário valorizado por Jesus, inclusive, muitas vezes, reduzindo a felicidade ao bem-estar financeiro.

Um outro ponto a considerar é que sua visão de mundo é estreitamente ingênua, baseando-se sobre uma visão mecânica da realidade: se eu faço determinada coisa (dar o dízimo ou doar grandes quantidades de dinheiro, por exemplo), receberei uma benção. Esta visão desconsidera a complexidade das relações humanas marcadas por injustiças e que levam o justo a sofrer, mesmo se sua vida é reta, como aconteceu na cruz de Jesus.


Alguns pontos críticos


Já no Antigo Testamento encontramos textos como o livro de Jó que são uma verdadeira crítica a esta visão. Basta recordarmo-nos como Jó, um homem extremamente justo, possuidor de tudo aquilo que a visão religiosa daquele tempo retinha como sinais de benção (muito dinheiro, muitos filhos, vida longa) e, de repente, perde tudo. Jó não se torna um amaldiçoado por Deus, mas sua verdadeira benção se encontra na fidelidade.

No tempo de Jesus existia uma linha que pregava coisas semelhantes. Geralmente doenças, morte prematura e pobreza eram considerados fruto do pecado familiar ou individual. Várias vezes Jesus se coloca contra esta visão, destruindo-a partir de seus alicerces, resgatando a verdade da dignidade humana que vinha sendo diminuída pelos jogos de poder, tanto na política de seu tempo como na religião de seu tempo.


Por último e mais importante, o próprio Jesus é sinal de contradição para esta visão da teologia da prosperidade: morre cedo em uma cruz, não tinha bens e não tinha filhos. Seria por isso Jesus um amaldiçoado por Deus? Se levarmos a visão da teologia da prosperidade a sério, diremos que sim. Contudo, sabemos que a realidade é bem outra.

Pe. Maikel Pablo Dalbem, C.SS.R.

Roma/Itália


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