Oração: expressão importante da vida e da fé



Uma das melhores definições de oração nos dá Santa Tereza: “amizade com Deus”. Categoria humana rica de significados. A amizade é feita de momentos concretos, em que os amigos se encontram, falam-se. Trata-se de uma relação construída na consciência de que Deus nos ama, é nosso amigo. No centro da oração está sempre uma convicção bíblica: “Deus é amor”, é “Pai”. Na oração o cristão vive e confessa a sua dignidade de filho e a sua confiança. Quando é verdadeira e sincera, enraíza-se e invade toda a vida: trasnforma a mente, o coração, os sentidos. Tem efeitos psicológicos. Tereza se sentia “melhorada” depois de estar com o Senhor.

Primeiro exemplo de oração encontramos em Jesus Cristo. Na oração realiza sua condição filial. Reza nas situações mais importantes da sua vida. Nos momentos cruciais de implantação do Reino: batismo (Lc 3, 21-22); Tabor (Lc 9, 28-35); antes da eleição dos apóstolos (Lc 6, 12-13; pela fidelidade de Pedro (Lc 22, 32); a “oração sacertotal” (Jo 17); na hora difícil do Getsêmani; na cruz (Lc 22-23). Depois da morte e ressurreição, sua oração continua operante: adora e intercede por dodos (Hb 7, 24-28). Sua atividade orante por parte de seu ser e de sua missão. Não reza para mostrar-se, aparecer, fazer de conta. Prefere à noite, quando niguém o vê. Embora público reza pouco, em privado muito. Dá testemunho, ao contrário dos fariseus, que davam espetáculo, rezando em público. Jesus ensina que, antes do preceito, vem a graça. Ele mesmo é esta graça: “Se pedirem qualquer coisa ao Pai em meu nome, Ele lhes dará. Até agora vocês não pediram nada em meu nome. Peçam e alcancarão, para que sua alegria seja plena! (Jo 16, 23-24).

Todavia a oração é só graça. É exercício. O dom gratuito da amizade exige resposta. Empenho de nossa parte e condição para que se crie o diálogo entre nós e Deus. De nós é exigida disponibilidade. Jesus não nos quer passivos. Suscita expressões de fé, amor, esperança, adoração, agradecimento. Quer comunhão verdadeira, em que possamos acolher a sua vontade a nosso respeito. Segundo santo Afonso, rezamos para conformar nossa vontade a de Deus. Verdadeira oração não é aquela em que convencemos Deus a fazer o que nós queremos. Quando rezamos “na verade”, é Deus que nos vai modificando, recriando-nos. É caminho de cura, libertação, unificação em Cristo. Sempre se trata de realizar o nosso novo ser em Cristo. Algumas vezes Deus precisa “modificar” os nossos planos. Não é fácil. Dói, é prova, é noite. Mas assim abrimo-nos a seu querer a nosso respeito. Pouco a pouco crescemos no amor de Deus e do próximo. O pior egoísmo é o egoísmo “piedoso”. Por isto a caridade é e será sempre o critério decisivo da nossa oração.

Pe. Paulo Sérgio Carrara, C.SS.R. Belo Horizonte/MG



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