Basílica de São Geraldo

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Santificar o nome do Senhor com a própria vida


Nos evangelhos encontramos diversos momentos nos quais Jesus se retira para orar a sós ou com seus discípulos (cf. Lc 9,18.28). A oração era uma constante na vida de Jesus, perpassando todo o seu ministério. Diante da prática orante de seu Mestre, os discípulos pedem que os ensine a rezar (cf. Lc 11,1). É esse o contexto da oração do Pai-nosso ensinada por Jesus. Em resposta ao pedido dos discípulos, Ele confia-lhes a oração fundamental da vida cristã e exorta-lhes sobre a importância da oração (cf. Lc 11,2-13). O Pai-nosso é mais que uma fórmula de oração, pois nela nos é oferecido um verdadeiro caminho para vivermos nosso relacionamento com o Pai e descobrirmos sua vontade para a nossa vida. Trata-se de uma oração filial, que expressa toda a nossa confiança de filhos em Deus nosso Pai.

Há na oração do Pai-nosso, conforme o texto mais elaborado de São Mateus (6,9-15), sete petições. As três primeiras “santificado seja”, “venha o teu Reino”, “seja feita a vossa vontade” estão mais centradas em Deus, enquanto que as quatro últimas são pedidos que partem de nós e expressam os nossos desejos (o alimento cotidiano, o perdão dos pecados, a vitória sobre as tentações). Na petição “santificado seja o vosso nome” da primeira parte do Pai-nosso suplicamos para que a nossa vida cristã seja viva transparência da santidade de Deus, ou seja, pedimos para que Deus realize sua obra de santificação em nós, tornando o seu nome conhecido através de nós. Não se trata de algo que façamos para santificar o nome do Senhor, pois ele já é santo, só Ele santifica, só Ele pode nos fazer participantes da sua santidade. Portanto, devemos entender esta súplica como expressão de nosso reconhecimento da santidade de Deus e de seu mistério inefável, bem como do desejo de que sua santidade se revele cada vez mais no mundo através de nossa vida.

Na tradição bíblica, o nome designa a essência da pessoa, isto é, expressa aquilo que a pessoa é em profundidade. Apesar de nomearmos o nome “Deus”, este nome permanece um mistério para nós. Conhecer este mistério está além de nossas capacidades humanas. Mas na Sagrada Escritura Deus vai revelando sua santidade no contato com o ser humano, nas obras que Ele realiza em favor de seu povo. Assim, no episódio da sarça ardente, Deus se revela a Moisés como Deus libertador (cf. Ex 3,7-8). Em cada etapa da história do povo de Israel em sua luta pela justiça e pela liberdade, Deus se revela presente. A plenitude da revelação do nome de Deus santo acontece em Jesus Cristo. Através de Jesus conhecemos os atributos da santidade divina, ou seja, sua misericórdia e sua benevolência em favor do ser humano: “Eu lhes dei a conhecer vosso nome e lhes darei a conhecê-lo, para que neles esteja o amor com que me amastes, e também eu esteja neles” (Jo 17,26).

Criados por Deus à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1,27), cada ser humano tem em si o traço da santidade divina. Mas esta santidade se visibiliza e se densifica quando recebemos o Batismo, que nos confere a graça da santificação. Pelo Batismo experimentamos um novo nascimento, morremos para o pecado e suas consequências em nossa vida e renascemos para uma vida nova de filhos de Deus. O Batismo nos torna participantes da relação filial de Jesus com o Pai, pela ação do Espírito Santo. Nisso consiste a graça da santificação operada em nós pelo Batismo. Somos postos diante de um imperativo, devemos nos tornar aquilo que somos chamados a ser: santos! O grande protagonista desta santificação em nós é o Espírito Santo. Ele atua em nós, capacitando-nos para acolhermos o dom e vencendo as nossas resistências. De nossa parte, devemos nos apropriar cada vez mais da graça da santificação, permitindo que a nossa vida seja revelação da santidade de Deus no mundo.

Se o nome de Deus revelado por Jesus é Pai, então devemos viver como filhos de Deus e irmãos uns dos outros. Entre nós não deve haver espaço para a competição, a inveja, a violência, a dominação de uns sobre os outros, e tantas outras coisas que destroem a fraternidade e desfiguram a santidade de Deus em nós. Atuamos esta santidade quando contribuímos para o fortalecimento da fraternidade sonhada por Deus. No dizer de São João Paulo II, “o nome do Deus único deve tornar-se cada vez mais aquilo que é: um nome de paz e um mandamento de paz”. Que a prece de Jesus ao Pai seja constantemente assumida por nós: “Pai, manifesta a tua glória!” (Jo 12,28), para que o nome de Deus seja mais conhecido e amado através da nossa vida.

Fráter Rodrigo Costa, C.Ss.R.

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