Maria, Mãe cheia de Graça


Maio é na vida da Igreja e na piedade popular, o mês dedicado a Maria, Mãe de Jesus. Refletindo e meditando a vida de Maria, contemplamos sua participação na História da Salvação, intimamente associada a Cristo e à Igreja, e lembramos também de todas as mães, chamadas a serem rosto materno de Deus na vida de seus filhos. Maria é chamada no relato da anunciação de “cheia de graça” ou “agraciada”, isto é, aquela que foi contemplada com a graça de Deus. Graça que lhe possibilita dar uma resposta radical ao projeto de Deus Pai. Nela, que é a imagem da nova humanidade, plenamente aberta ao projeto de Deus, a vida de cada homem e mulher ganha novos contornos, pois somos também convidados a sermos receptáculos acolhedores da graça e da eleição, que nos recria, e faz-nos viver em sintonia com a vontade do Pai: “Em Maria brilham, portanto, os traços característicos da existência redimida. Olhando-a, Virgem e Mãe, os cristãos reconhecem sua vocação para acolher e doar o amor de Deus” (Bruno Forte).

Pelo SIM de Maria o divino se faz humano, e desta forma, o humano se realiza plenamente numa mulher, “a promessa vem com leite de mulher”: “O ‘sim’ a Deus da Virgem se traduz no ‘sim’ da Mãe ao homem” (Bruno Forte). Assim, ela é “verdadeiramente mãe” de todos os que vivem segundo o Evangelho. Maria recebe duas graças, a do nascimento de Jesus e do nascimento da comunidade cristã, do qual ela é o principal modelo. Ela é imagem da Igreja-mãe: comunidade que gera novos filhos pela fé, pelo batismo e pelo testemunho. A Virgem nos ensina a também gerar Cristo em nós, a partir de nossa docilidade e abertura para o Mistério. O Espírito que nela fez morada, a torna cheia de graça, e por isso, mulher e peregrina na fé, partilhando do mesmo destino de seu povo.

Maria é mãe e mulher na vida simples e humilde de Nazaré, fiel a sua tradição e sempre atenta e disponível para servir os irmãos: “Eles não têm mais vinho! ” (Jo 2,3). Fez um longo caminho de amadurecimento na fé, às vezes não compreendia certas coisas: “Maria, porém, conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração” (Lc 2,19), em outros momentos se adianta, compreende a missão do Filho e se torna primeira discípula: “Façam o que ele disser” (Jo 2,5). A vida de Maria é marcada por crises e desafios. Nada está pronto em sua vida, como muitas vezes pensamos. É por isso que a Mãe de Jesus é símbolo do ser humano em construção, que está aberto para o projeto de Deus, e é tocado pelo Espírito Santo. Olhando para Maria somos convidados a cultivar um coração solidário que anseia por uma nova ordem do cosmos e proclama o Reino que já se aproxima (cf. Lc 1,46-55).

A maternidade de Maria inspira a vocação de todas as mães. Ela é ícone da verdadeira maternidade. Sua experiência de fé se traduz em ser mãe, educadora e discípula. Ser mãe é saber vivificar, educar, cuidar, amar, e tantas outras palavras que poderiam ser utilizadas para traduzir esta vocação bendita! Em Maria todas as mulheres são chamadas a se tornarem férteis no corpo e na alma. Mas também cada ser humano é chamado a cultivar os traços maternos da ternura, do cuidado e da acolhida. Sem a maternidade, a humanidade estaria ameaçada. É por isso que cantamos:

“Em cada mulher que a terra criou

Um traço de Deus Maria deixou

Um sonho de Mãe Maria plantou

Pro mundo encontrar a paz”

“Dizer teu nome Maria é dizer que todo nome pode estar cheio de graça” é o que nos lembra D. Pedro Casaldáliga num de seus belíssimos poemas dedicados a Maria. Neste pequeno verso, existe um grande convite para que cada homem e mulher possa também fazer da sua vida uma entrega generosa a Deus. O convite que Deus faz a toda humanidade é para que esta seja plenamente fecunda, aberta ao seu projeto, lugar no qual é vivido a gratuidade e o serviço amoroso. Contemplando o mistério que se realizou em Maria, celebramos a iniciativa de Deus que vem ao nosso encontro, na precariedade de nossa existência, tornando-nos benditos, repletos de toda graça, capazes de gerar Cristo em nós. Basta que nos abandonemos confiantemente nas mãos do Todo-poderoso, que não se deixa dominar pelos nossos esquemas, e como Maria pronunciarmos o nosso FIAT: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38), e grandes maravilhas o Senhor realizará em nós.

Fráter Rodrigo Costa, C.SS.R.

Mestre Ataíde, Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto Minas Gerais.


48 visualizações

Basílica de São Geraldo

Site desenvolvido usando tecnologia Wix

Todos os direitos reservados.

  • YouTube
  • Instagram - White Circle
  • Facebook - White Circle