Basílica de São Geraldo

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A Liturgia na Vida

31/10/2019

Música religiosa e música litúrgica

 

 

A música, como arte e cultura, faz parte do ser humano, e sempre esteve presente na vida das pessoas e dos povos. É um fenômeno universal, surgindo como uma das primeiras manifestações do ser humano e da vida em sociedade. Não há povo que não tenha seus cantos, suas músicas e danças, seu jeito de celebrar as festas da vida, seus ritos, sua cultura enfim. Santo Agostinho já dizia: “Cantar é próprio de quem ama!”
Entretanto há vários tipos de música e canto, dependendo da finalidade para a qual foi feita: música para dançar, marchar, relaxar, curar, brincar, ninar, trabalhar, produzir mais, música para rezar e entrar em contato com Deus... A música é feita de som, melodia e ritmo; o canto lhe acrescenta as palavras, o texto, a mensagem, a poesia.
A música que nos coloca em comunhão com o divino é a chamada Música religiosa - ela tem ligação com o religioso, o transcendente, o espiritual, os valores do evangelho e do cristianismo. Todos os povos têm o sentimento religioso e buscam de alguma forma entrar em contato com a divindade, expressando-se através do canto e da música. Scouarnec nos interpela: “Diga-me o que canta e eu lhe direi em que crê”, para afirmar que a música é expressão da nossa fé e revela os anseios mais profundos do coração. Assim sendo, a música religiosa é ampla e abrangente, com um caráter mais popular, e da qual temos vasto repertório, pois muitos compositores fazem esse tipo de música que canta a vida, os valores do evangelho, as virtudes, a fé... A chamada Música Sacra não é necessariamente litúrgica... mas possui um caráter religioso e teve sua expressão máxima com os clássicos, como Bach, Mozart e outros, sendo mais erudita, geralmente a vozes e muitas vezes acompanhada por instrumentos orquestrais; contém desde o Gregoriano até a polifonia clássica, compreendendo diversos gêneros e estilos. Pode ser executada na igreja ou fora do culto
A este respeito comenta o sacerdote jesuíta Thomas Lynch Cullen, em seu livro “Música Sacra”, da Editora Musimed: “Na Igreja, podemos alegrar-nos com as mudanças que facilitaram a maior participação e, à mesma hora, lamentar a perda de tanta riqueza. Mas, cantando, jamais poderemos esquecer estas raízes e os valores que constituem a mensagem comunicada pela música.”
A Música litúrgica tem sua raiz na música religiosa, mas é mais restrita, porque tem um fim específico: acompanha as ações sagradas que realizamos na liturgia, está a serviço da Palavra, é música ritual, por estar em função dos ritos, das ações simbólicas que realizamos quando celebramos o Mistério Pascal de Cristo. Portanto, no dizer de Gelineau: “Na celebração do culto da Igreja, a proposta não é de fazer música, mas de entrar, por meio da arte musical, no mistério da salvação.” Por esta afirmação, já se percebe que não podemos cantar qualquer canto na Celebração, mas ele deve nos ajudar a mergulhar no Mistério celebrado, deve nascer da Palavra e do rito. Não é enfeite, mas parte integrante da liturgia, e assim, quanto mais ligado ao rito e à ação litúrgica, tanto mais litúrgico o canto é; quanto menos falar do que estamos celebrando, tanto menos apropriado... Esta é a grande diferença entre a música religiosa e a litúrgica, e que deve ser levada em conta pelos compositores e pelos que escolhem os cantos para a liturgia, sobretudo quando se trata da Celebração Eucarística. Quanto mais geral for o conteúdo da mensagem, o texto do canto, tanto menos serve para a Liturgia, pois nela cada canto tem uma função própria, específica, devendo expressar o Mistério de Cristo. Cantar A liturgia, mais do que cantar NA liturgia é o empenho da Igreja hoje, o que exige conhecimento, formação litúrgico-musical e vivência cristã.
 “... Uma música que não é cheia de si mesma, mas portadora de silêncio e adoração...” (Gelineau) 

 

Ir. Miria T. Kolling

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