Basílica de São Geraldo

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OUVINTES E PRATICANTES DA PALAVRA

Criado à imagem e semelhança de seu Criador (cf. Gn 1,26), o ser humano foi criado como “parceiro” de Deus, isto é, Ele criou-nos tendo em vista um evento dialogal. O Criador criou uma criatura que lhe é semelhante, à qual possa falar e que lhe possa escutar. Desde sempre fomos criados ouvintes da Palavra, interlocutores do Criador: somos capazes de Deus! A revelação cristã nos ensina que Deus é comunicação e deseja se relacionar conosco, e que o ser humano está também aberto ao encontro com Deus, capaz de responder-lhe livremente.

A Sagrada Escritura é uma grande narrativa da história da salvação. Ela é testemunha da autocomunicação de Deus ao ser humano. Nela descobrimos um Deus que constantemente se comunica conosco, utilizando-se de palavras e autores humanos, convidando-nos a participar de sua intimidade e comunhão amorosa. Esse processo dialogal de Deus na história aconteceu de diversos modos: “Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos” (Hb 1,1-2). Esse Deus que se revela também esclarece o nosso destino, mostra-nos a finalidade para a qual fomos criados: “Em virtude desta revelação, Deus invisível (cfr. Cl 1,15; 1Tm 1,17), na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos (cfr. Ex 33, 11; Jo 15,14-15) e convive com eles (cfr. Bar 3,38), para os convidar e admitir à comunhão com Ele” (Dei Verbum 2).

A plenitude desta autocomunicação divina aconteceu em Jesus Cristo, a Palavra de Deus encarnada, que entrou no tempo e se fez história na vida dos seres humanos (cf. Jo 1,14). Com a encarnação do Verbo, o amor e a comunicação de Deus em palavras humanas alcançaram sua máxima clareza e visibilidade. A vida de Jesus é a grande boa-notícia de Deus para a humanidade, sobretudo, para os pobres e excluídos (cf. Lc 4,18-19). Esta encarnação do enviado de Deus não se realizou somente no momento da concepção, mas se trata de uma ação permanente: “A palavra se fez carne em todos os momentos da vida de Jesus” (Comblin). Toda pregação e ensinamento de Jesus, bem como os sinais que realizou, são expressões desta encarnação que acontece continuamente no mundo dos homens. Por meio da Palavra encarnada de Deus conhecemos verdadeiramente quem Ele é: “As coisas que vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai que estando em mim, realiza as suas obras. Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim [...]” (Jo 14,10-11).

Esta Palavra exige de nós uma resposta de fé. Jesus, a Palavra encarnada de Deus nos coloca diante de uma decisão a tomar: pró ou contrária à Palavra. Não se pode permanecer indiferente à sua interpelação, pois “a palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes; penetra até a divisão da alma e do corpo, das articulações e das medulas, e discerne os sentimentos e intenções do coração” (Hb 4,12). Só escutamos e acolhemos verdadeiramente a Palavra no silêncio humilde da adoração e na obediência da fé. Na escuta atenta da Palavra, o cristão busca discernir a própria existência à luz da Palavra de Deus: “não lerá o Evangelho na história, quem não souber ler a história no Evangelho” (Bruno Forte).

A meta da vida cristã é tornar-se um Evangelho vivo, isto é, prolongar a encarnação da Palavra viva saída de Deus na história, e faremos isso cada vez que ouvirmos a Palavra de Deus com fé e a colocarmos em prática (cf. Lc 8,21). Por meio da leitura atenta e cotidiana da Palavra de Deus, o fiel alimenta a sua vida cristã e pode discernir como agir coerentemente de acordo com a Palavra. Assim, a vida cristã será sempre uma carta de Cristo para os homens de hoje, “escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos corações (2 Cor 3,3).

Fráter Rodrigo Costa, C.Ss.R

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31/10/2019

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