Basílica de São Geraldo

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Maria, Mãe da Igreja

Recentemente, o Papa Francisco instituiu a segunda-feira após a Solenidade de Pentecostes como o dia em que se celebra a Memória da “Bem-aventurada Virgem, Mãe da Igreja”. O motivo da instituição desta celebração, como expressa o Papa no Decreto “Ecclesia Mater”, é “favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos Pastores, nos religiosos e nos fiéis, como também, da genuína piedade mariana”. Maria estava presente desde o início da vida pública de Jesus, como fiel discípula e servidora de seu Filho (cf. Jo 2,1-12). Igualmente, presente no início da Igreja nascente, como narram os Atos dos Apóstolos: “E todos unidos pelo mesmo sentimento, entregavam-se assiduamente à oração, com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus” (At 1,14). Da mesma forma, na Comunhão dos Santos, Maria permanece como membro, mãe e modelo da Igreja, cooperando na mediação única de Jesus Cristo e exercendo sua maternidade espiritual (cf. LG 60). 


No evangelho de João encontramos uma cena que nos ajuda a compreender profundamente o título de “Mãe da Igreja”. Perseverando na fé, desde o início da missão de Jesus, Maria permanece junto a seu Filho até o fim. Em Jo 19,25-27 vemos o encontro de Maria com o discípulo amado ao pé da cruz. Ela mantém-se de pé na hora mais difícil de Jesus. Seu gesto demonstra coragem, persistência e fé. Junto com Maria e as mulheres está o “discípulo amado”, que a Tradição identifica como sendo João. O discípulo amado representa aqui a comunidade dos discípulos de Jesus, que permanece fiel mesmo em meio às dificuldades e sofrimentos do cotidiano. Refere-se à Igreja que nasce à sombra do mistério da Cruz. Antes de morrer, Jesus quis que Maria fosse adotada como mãe pela comunidade dos discípulos. Mais do que dizer-nos sobre quem ia tomar conta de Maria após a morte de Jesus, o texto vai além, mostrando-nos a nova missão que Maria recebe e seu papel na comunidade cristã: “A mãe Maria poderá, como em Caná, intervir junto ao filho. Levará os servidores e amigos de Jesus a fazer o que ele disser. Possibilitará que novas gerações de cristãos, como os primeiros discípulos, creiam em Jesus, vejam sua glória e se reúnam em torno dele” (Afonso Murad). 


A comunidade dos discípulos de Jesus que recebe Maria como Mãe é chamada a tornar-se também “Igreja-mãe”, cultivando continuamente o estilo de Maria. Desde os inícios da Igreja desenvolveu-se a imagem da Ecclesia Mater (Mãe Igreja). Tal como Maria, mulher obediente à vontade do Pai, gerando Jesus em seu seio, a Igreja gera muitos filhos na fé pelo batismo e pelo testemunho. Inspirando-se em Maria, sempre atenta a Palavra de Deus, a Igreja guarda e transmite o tesouro da Palavra de Deus ao longo dos séculos. Igualmente, como Maria que coloca o Menino recém-nascido na manjedoura, lugar do alimento dos animais, sinal prefigurativo daquele que iria apresentar-se a Si mesmo como “Pão da Vida”, a Igreja alimenta seus filhos com a Eucaristia, que nos fazer cada vez mais aquilo que já somos, membros do Corpo de Cristo. Como Maria que guiou os serventes na festa de casamento em Caná, a fazerem tudo o que o Jesus lhes dissesse, a Igreja guia seu filhos através de seus pastores e ministros. A Igreja, como a mais solicita das mães, inspira-se também em Maria, no cuidado aos seus filhos mais pobres e necessitados. Tal como Maria que se dirige apressadamente à casa de sua prima idosa e necessitada de ajuda, a Igreja deve estar sempre pronta para ir ao encontro dos mais pobres. 


Celebrando a Memória de Maria, Mãe da Igreja, cada fiel deve deixar-se inspirar pela maternidade espiritual de Maria, para que também possa gerar Cristo em si e nos outros. Igualmente, deve deixar transparecer em si, sobretudo ao exercer sua missão na comunidade eclesial e na atenção aos irmãos, os traços maternos da ternura, calor, intuição, cuidado, acolhida. Deste modo, testemunharemos a este mundo cansado e ferido, a força revolucionária da Boa-nova da ternura e do afeto, tão impregnada na vida de Maria.

 

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31/10/2019

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