Basílica de São Geraldo

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O Bom Pastor e a missão de cuidar

O Bom Pastor, mosaico. Mausoleu de Galla, Ravena, Itália, 417- 421

 

A cada domingo do tempo Pascal, aprofundamos um pouco mais do mistério da ressureição de Jesus. Trata-se de uma catequese que amplia a nossa compreensão e vivência do mistério pascal. Dentre as muitas imagens que as comunidades de fé refletem durante esse tempo, está a do Bom Pastor (cf. Jo 10,11-18), que é tradicionalmente lembrada no quarto domingo da Páscoa. No discurso do Bom Pastor (cf. Jo 10,11-18), Jesus se apresenta como o verdadeiro Pastor, que entrega sua vida livremente em favor de suas ovelhas. Portanto, trata-se de uma imagem profundamente pascal. Tal como o Ressuscitado, o Bom Pastor não se autopreserva, mas dá a vida por suas ovelhas e as conduz para a verdadeira vida. Assim, olhando para o Bom Pastor, Jesus, somos interpelados a sermos também, outros pastores, capazes de construir relações geradoras de vida, que manifestem e realizem nossa vocação de “ser para os outros”, cuidando de nossos irmãos.


A imagem do Pastor é bastante cara ao ambiente rural palestinense: “À tardinha, os pastores reúnem o rebanho num recinto para a noite. Normalmente um só recinto serve para diversos rebanhos. De manhã cada pastor grita sua senha, e as ovelhas – as suas, que lhe conhecem a voz – seguem-no” (Bruno Maggioni). Além disso, também no AT encontramos diversas referências à imagem do Pastor, para dizer do cuidado de Deus para com seu povo: “O Senhor é o meu pastor, nada me falta” (Sl 23,1). Igualmente, para expressar a missão dos autênticos líderes do povo: “Eu lhes darei pastores que as pastoreiem: não temerão, nem se espantarão, nem se perderão” (Jr 23,4). No NT, a figura do Pastor é uma espécie de parábola da vida de Jesus, pois toda a sua vida foi serviço e doação, a fim de que “todos tenham vida” (Jo 10,10). O ápice desta vida em prol dos demais é a entrega livremente assumida da própria vida, no mistério de sua morte e ressurreição. Desse modo, Jesus realiza plenamente todas as características do verdadeiro pastor.


Mas o pastoreio de Jesus continua através da vida daqueles que o seguem: “Cuidai de vós e de todo rebanho que o Espírito Santo vos confiou como pastores da Igreja de Deus, e que adquiriu pagando com seu sangue” (At 20,28). Pode-se dizer que a missão do seguidor de Jesus no mundo passa pelo pastoreio dos irmãos. Em Jesus encontramos a norma e o critério para um autêntico pastoreio. Ele é a porta pela qual devemos passar para nos tornarmos legítimos pastores e para alcançarmos a plenitude da vida (cf. Jo 10,9). As caraterísticas do autêntico Pastor, cujo modelo é Jesus, são muitas: o pastor guia as ovelhas; provê seu sustento; está atento a cada uma, pois as conhece; protege dos perigos e dos falsos pastores; é solidário com seu rebanho; e se preocupa com as ovelhas que estão fora do redil. Se pudéssemos resumir a missão do Pastor em uma palavra, esta palavra seria “cuidado”. O Pastor é essencialmente aquele que sabe cuidar.


Se quisermos testemunhar a presença do Senhor Ressuscitado com a nossa vida, devemos assumir profundamente a missão do pastoreio dos irmãos. Num mundo cansado e ferido, que desvaloriza a vida e as pessoas, no qual tantos homens e mulheres estão carentes de cuidados físicos e espirituais, a vocação de sermos pastores-cuidadores torna-se mais atual que nunca. Seremos pastores quando formos sensíveis à dor do outro, empenhando em saná-la, quando formos capazes de oferecer uma palavra de esperança e consolo, quando estivermos disponíveis para o outro que bate à nossa porta.


A missão de pastorear não pode ser confundida com a dominação de uns sobre os outros, nem com a existência de um rebanho passivo que simplesmente se submete. Pelo contrário, a metáfora do Pastor aponta para a promoção da vida e, consequentemente, a superação de toda situação de morte e exclusão. Continuando a prática de Jesus Bom Pastor, testemunharemos a força de sua Ressurreição que se oferece a cada ser humano em todo tempo e lugar.

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31/10/2019

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