Basílica de São Geraldo

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Esperança: o horizonte de Deus

(O semeador, Van Gohg. 1888)

 

Estamos iniciando um novo ano que vem chegando com novas possibilidades e desafios. Muitos fazem uma lista de resoluções, projetos e promessas para serem realizadas ao longo do ano. Após aquele momento “mágico” da virada, em que parece que tudo se faz novo de novo, com os espetáculos pirotécnicos e os votos de feliz ano, é hora de encarar esse novo tempo que já bate à nossa porta com seus apelos e exigências inadiáveis. Sem dúvida, a passagem de um novo ano mexe com nossas expectativas, mesmo entre os mais céticos, já que parece nos convidar a uma nova atitude interior que nos permita entrar numa dinâmica profunda de renovação, que envolva as diversas dimensões de nossa existência.


Podemos encarar o novo ano que se inicia de dois modos: com uma postura resignada diante da vida, na qual não se consegue ver nada de novo pela frente, sem motivos para expectativas e comemorações, já que tudo parece uma repetição monótona de tarefas e compromissos; outra postura é da esperança, que nos permite ver além da realidade aparentemente árida e imutável, e nos faz saltar por sob os muros da indiferença, do desespero e do fatalismo, tão comumente presentes nos noticiários e nas relações humanas. A esperança nos convida a uma dinâmica de renovação para acolher aquilo que nos faz crescer e nos torna mais humanos e menos mesquinhos, egoístas, reclamadores da vida. Assumir uma postura de renovação da própria vida é o que vai fazer com que o novo ano seja realmente novo, e não somente uma sucessão de datas ou uma página a mais virada do calendário.


A tradição cristã nos ensina que a esperança é uma das virtudes teologais que, junto com a fé e a esperança, possuem o seu fundamento em Deus e d’Ele recebe sua força, que nos impulsiona a abrir caminhos em meio à labuta cotidiana. Ou, como dizia Santo Agostinho: “Esperar significa crer na aventura do amor, ter confiança nas pessoas, dar o salto no incerto e abandonar-se a Deus totalmente”. Esperança é o horizonte de Deus e esperar é crer no impossível, acolher as surpresas de Deus que nos desarma de nossas pretensões e autossuficiências. Esperar é crer que Deus nos visita através das pessoas e dos acontecimentos. Em outras palavras, crer que Deus é conosco.


Fortalecidos com o dom da esperança, importa-nos prosseguir decididamente no novo ano que se inicia, acolhendo os novos horizontes divinos. É preciso deixar para trás o que passou, virar a página das experiências mal sucedidas, dar-se uma nova oportunidade, procurar realmente renovar o olhar, a atitude, o pensamento, o agir, as relações que estabelecemos. É necessário dispor-se a romper já com certas formas habituais de enxergar a realidade, míopes e descomprometidas, e deixar-se ser surpreendido pelo “novo” de Deus que nos chega de diferentes modos. E aqui, vale um conselho da poetisa Cecília Meireles, que deve marcar o ano que está só começando:

 

 

 

 

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro.
Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

 

 

Fráter Rodrigo Costa, C.Ss.R.

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31/10/2019

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