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Ano de São José: Qual o papel de São José na história da Salvação?



Em comemoração aos 150 anos da proclamação de São José como patrono da Igreja Católica pelo Papa Pio IX em 08 de dezembro de 1870, papa Francisco convocou um “Ano” especial dedicado a São José, pai putativo de Jesus. Na ocasião desta convocação, foi publicada a Carta apostólica Patris Corde (Com coração de Pai).

Presente no Novo Testamento bíblico, em específico nos evangelhos de Mateus e Lucas, são José vem apresentado como um humilde carpinteiro, homem justo, prometido esposo de Maria (Mt 1,18-19; Lc 1,27). Silencioso, é homem do discernimento que diz muito mais com as ações do que com palavras. Em quatro sonhos (Mt 1,20; 2,13.19.22), símbolos que indicam na cultura bíblia momentos de profundo discernimento da voz de Deus, José discerne sua vocação diante dos sinais presentes na realidade, lançando-se na missão de ser a figura paterna de Jesus nesta terra e esposo de Maria.

Guardião da Sagrada família, assume uma missão que se mostra nada fácil: em meio às dificuldades de uma viagem, enfrenta o desafio de encontrar um lugar onde Maria pudesse dar à luz o menino Jesus (Lc 2,7); protegendo Maria e Jesus da loucura homicida de Herodes, parte para uma vida de migrante no Egito (Mt 2,13-,18); retornado, vive a vida simples na pequena cidade de Nazaré. José está ainda presente nos dois momentos de Jesus pequeno no Templo: a apresentação do bebê (Lc 2,22-35) e quando aos 12 anos é encontrado ensinando aos doutores da Lei (Lc 2,41-50). Durante os anos da adolescência de Jesus, os evangelhos se silenciam sobre José, tendo ele provavelmente, combatido o bom combate, vivido profundamente sua missão, retornado para a casa do Pai de todos nós.

Segundo lembra Patris Corde de Papa Francisco, depois de Maria são José é o santo que ocupa mais espaço no ensinamento da Magistério dos papas, além de ser recordado várias vezes pela devoção popular. Dentre tantas citações, destacam-se a já citada proclamação de patrono da Igreja Católica por Pio IX, padroeiro dos trabalhadores por Pio XII, protetor do Redentor por João Paulo II. A todas estas se adicione a popular devoção de são José como padroeiro de uma boa morte.

Como exemplo de Pai, nosso querido santo vem recordado por papa Francisco se revelando como referência de “pai amado”, “pai na ternura”, “pai na obediência”, “pai na acolhida”, “pai de coragem criativa”, “pai trabalhador” e “pai à sombra de Deus-Pai”.

Em seu eloquente silêncio, José se tornou um verdadeiro imitador do Filho Jesus. Sendo guardião da vida, vive com humildade de coração sua corajosa missão de guardião/cuidador da vida. Papa Francisco recorda na missão significativa e silenciosa de José a figura de tantos homens e mulheres que nos momentos difíceis, e em especial neste momento de pandemia, silenciosamente gastam sua vida no cuidado dos que mais sofrem, sendo amparo e força. O papa nos recorda de tantos “cuidadores da vida” que não compõem as notícias dos jornais, telejornais, shows e passarelas da cultura atual: médicos, enfermeiras, pessoal dos serviços essenciais, dos supermercados, da limpeza, transportadores, cuidadores de crianças e idosos, forças de ordem, religiosos, padres etc, que não pararam e, mesmo cansados e sob o risco da própria vida, continuaram a audaciosamente a cuidar e defender a vida.

Eis a missão de José; eis a missão que ele nos ensina a viver com o silêncio atuante e fraternal: cuidar e guardar a vida em todos os seus momentos e circunstâncias!


Pe. Maikel Pablo Dalbem, C.SS.R.

Roma/Itália


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