APROFUNDANDO A NOSSA FÉ

FRATELLI TUTTI


Caríssimos amigos:

Hoje falaremos um pouco sobre a nova encíclica de Papa Francisco intitulada: “Fratelli tutti”. Esta é a terceira encíclica de Francisco, assinada no dia 03 de outubro passado e tornada pública no dia seguinte, quando se celebra a memória de São Francisco de Assis. Traduzido o título, “Irmãos todos”, é inspirada em um dos escritos do “santo pobre de Assis”, que se inicia com a referida admoestação: “Olhemos com atenção, irmãos todos, ao Bom Pastor que para salvar as suas ovelhas sofreu a paixão da cruz”. Trata-se de um documento longo, composto por 8 capítulos e 287 números.


Neste documento o papa busca evidenciar a importância da fraternidade como valor que serve a ordenar as relações entre as pessoas, nações, culturas e sociedades em vistas de uma convivência mundial harmoniosa e em paz. Realiza uma série de críticas aos regimes neoliberais e populistas que se mostram, muitas vezes, distante deste ideal de fraternidade, colocando acima da vida alguns fatores, como por exemplo a economia. Situações que ficaram muito evidenciadas neste momento em que vivemos de pandemia COVID-19.


Não é um texto restrito ao âmbito eclesial, mas que se abre ao diálogo construtivo com todos: católicos, cristãos em geral, ateus, agnósticos, sem religião, gente simples, gente douta, pobres, ricos, enfim, todos aqueles que se compreendem participantes desta grande aventura que se chama “humanidade”. Entre os autores citados, dada esta largueza no diálogo, vemos nomes pouco usuais em documentos pontifícios, como o do filósofo Paul Ricouer e do compositor e poeta brasileiro Vinícius de Moraes.


Em nosso breve artigo, buscaremos apenas de apresentar o núcleo teológico da encíclica, o que nos ajudará a compreender todos demais temas de caráter social que constelam em torno desta sana teologia e espiritualidade.


1. O núcleo teológico da encíclica


O núcleo teológico do documento se encontra baseado sobre a imagem bíblica da parábola do bom samaritano. Com esta imagem papa Francisco quer nos recordar o constante chamado, sempre novo, que Jesus nos faz a retornar à nossa vocação de cidadãos não somente de uma nação, mas de todo o mundo, exortando na direção de construir novas relações sociais mais fraternas, ainda que estas evidenciem a constante tensão pessoal interior entre a busca individual de segurança e os sacrifícios que nos impõem o exercício da caridade. Francisco nos recorda que a característica essencial do humano, que muitas vezes vem esquecida em meio aos jogos sociais, é aquela que fomos criados no amor e feitos para alcançar nossa plenitude na vivência do amor.


2. Os demais temas sociais


Desenvolvidos a partir do núcleo que apenas apresentamos, encontramos diversos outros temas de grande influência em nosso mundo atual. Limitar-me-ei somente a citar algumas passagens, deixando ao caro leitor a boa reflexão que surgirá, certamente, em seus corações. Contudo, recomendo vivamente a leitura do documento integral.


a. Racismo:


“O racismo é um vírus que muda facilmente e, em vez de desaparecer, dissimula-se, permanecendo sempre à espreita.”


b. Imigração:


“Se toda pessoa tem uma dignidade inalienável, se todo ser humano é meu irmão ou minha irmã, e se realmente o mundo é de todos, não importa se alguém nasce aqui ou se vive fora dos limites de seu próprio país.”


c. Relações interreligiosas


“O culto sincero e humilde a Deus “leva, não à discriminação, ao ódio e à violência, mas ao respeito pela sacralidade da vida, ao respeito pela dignidade e a liberdade dos outros e a um solícito compromisso em prol do bem-estar de todos”.


“Como cristãos, pedimos que, nos países onde somos minoria, nos seja garantida a liberdade, tal como nós a favorecemos para aqueles que não são cristãos onde eles são minoria. Existe um direito humano fundamental que não deve ser esquecido no caminho da fraternidade e da paz: é a liberdade religiosa para os crentes de todas as religiões.”


d. Propriedade privada


Tal direito “só pode ser considerado como um direito natural secundário” em relação à dignidade humana. “O próprio bem do mundo requer que cada um proteja e ame a sua própria terra; caso contrário, as consequências do desastre dum país repercutir-se-ão em todo o planeta. Isto baseia-se no sentido positivo do direito de propriedade: guardo e cultivo algo que possuo, a fim de que possa ser uma contribuição para o bem de todos”.


e. Dignidade das mulheres


“... a organização das sociedades em todo o mundo ainda está longe de refletir com clareza que as mulheres têm exatamente a mesma dignidade e idênticos direitos que os homens. As palavras dizem uma coisa, mas as decisões e a realidade gritam outra. Com efeito, duplamente pobres são as mulheres que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência, porque frequentemente têm menores possibilidades de defender os seus direitos”.


Pe. Maikel Pablo Dalbem, C.SS.R.

Roma/Itália


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