O Amor a Jesus Cristo na Orientação Espiritual


Caro devoto de São Geraldo, nos próximos textos, faremos uma partilha sobre a orientação espiritual a partir de uma das mais belas obras de Santo Afonso, a saber, “A Prática de amor a Jesus Cristo”. Em três momentos de partilha, esperamos levar a você um pouco mais da riqueza de nossa espiritualidade e como a podemos entender do ponto de vista de um caminho de orientação espiritual. Boa leitura e que São Geraldo rogue a Deus bênçãos para sua vida!

1. O que é a orientação espiritual?

Considerando a obra aqui estudada, podemos pensar a orientação espiritual, que mais que uma técnica, é uma verdadeira arte. É um dom e precioso serviço eclesial. Ela traz consigo a necessidade de um relacionamento consciente com Deus, a partir da revelação do seu amor em Jesus Cristo e no Espírito Santo.

Afonso pensa um caminho possível para o ser humano de encontro com Deus e este só é possível se o consideramos na prática da orientação espiritual como via de entrada na proximidade de Deus. O crescimento do cristão rumo ao seu amadurecimento só se dá na relação com Deus. Há ainda que se ter a clareza de que a iniciativa da experiência é sempre de Deus. Ele toma a inciativa de se dirigir ao ser humano (revelação), esperando dele uma resposta consciente (fé). Por isso, a pessoa deve sair dos conceitos e ir de fato aos sentimentos, ou melhor, aos afetos, pois estes conduzem à intimidade e à proximidade do mistério de Jesus, caminho que exige transparência e liberdade.

A orientação espiritual se mostra essencial no caminho da construção do relacionamento com Deus. Praticar o amor a Jesus só é possível quando a pessoa se deixa orientar e aceita abrir o seu coração num diálogo cheio de confiança com alguém mais experimentado nos caminhos de Deus (o orientador espiritual). Santo Afonso valorizava o ministério da orientação espiritual. Na sua época, a direção se dava muitas vezes no contexto da confissão. Diretor e confessor eram a mesma pessoa, sempre um sacerdote, porque não era possível pensar a orientação feita por uma religiosa ou leigo, dado o contexto bastante clerical. Mas nosso santo valorizou muito o lugar da orientação espiritual na vida dos cristãos que querem seguir a Cristo mais de perto. Ele deixou um legado rico para os redentoristas. As Constituições e Estatutos da Congregação do Santíssimo Redentor trazem um número que se refere diretamente à Direção Espiritual na esteira de Santo Afonso. O número 024 dos Estatutos reza que “O carisma de conselheiro espiritual, que tanto brilhou em Santo Afonso, e que foi sempre tido em grande estima em nossa tradição, parece ser de suma importância em nossos tempos, nos quais o homem, sem cessar, se interroga. Tal ministério deve descobrir novas formas, condizentes com a mentalidade dos homens de nossa época, como são, por exemplo: o aconselhamento (“counseling”), as respostas em periódicos, etc. Onde tais formas já existem, os nossos usem-nas, dando-lhes uma contribuição específica”. (Constituições e Estatutos da Congregação do Santíssimo Redentor, Aparecida – SP, 2004, p. 122).

Esta referência explícita à direção espiritual afirma que os redentoristas devem ser bons diretores, assim como foi o seu fundador, Santo Afonso, em quem brilhou o carisma de conselheiro espiritual. A espiritualidade de Santo Afonso inclui, portanto, o exercício da orientação espiritual como caminho normal do encontro com Deus. Caminho do qual se beneficiou e com o qual pode ajudar muitas pessoas na sua época. Trata-se de um carisma que continua atual e, talvez, mais necessário que em outros tempos, porque numa sociedade que propõe tantas referências, cabe ao cristão fazer sua opção pessoal por Cristo, o que dificilmente conseguirá sem uma ajuda. Mas como definiríamos hoje a orientação espiritual? Vejamos a definição de dois especialistas: “A direção espiritual cristã é entendida como ajuda dada por um cristão a outro, ajuda essa que capacita este outro a prestar atenção à comunicação pessoal de Deus com ela, a responder a esse Deus pessoalmente comunicante, a aumentar a sua intimidade com Ele e a viver as consequências desse relacionamento. O enfoque desse tipo de direção espiritual se apoia na experiência, não em ideias e, especificamente, na experiência religiosa, ou seja, em qualquer experiência do misterioso Outro a quem chamamos Deus. De mais a mais, essa experiência é vista não como um evento isolado, mas como expressão do progressivo relacionamento pessoal que Deus estabeleceu com cada um de nós”. (BARRY, W; CONNOLLY, W. A prática da Direção Espiritual. São Paulo: Loyola, 1990, p. 22).

Essa definição se aproxima muito da proposta de Santo Afonso que, como mostra a obra aqui estudada, apostava na relação pessoal com Deus. A prática de amar a Jesus Cristo, segundo nosso santo, é o caminho normal daquele que deseja seguir a Deus. Portanto, para ele, o objetivo da orientação espiritual é apenas o de aproximar a pessoa do mistério amoroso de Deus que se manifestou a nós em Cristo e no Espírito Santo. Este ministério ajuda a descobrir o amor misericordioso de Deus manifestado na encarnação e morte de Jesus. Hoje Afonso acrescentaria a ressurreição com o envio do Espírito Santo à sua tríade: presépio, cruz, sacramento. Mas, sua época enfatizava mais o valor salvífico da morte, deixando de lado o mistério da ressurreição, que coroa a obra da salvação operada por Cristo.

Assim terminamos a primeira partilha e agora nos preparamos para um novo passo. No próximo texto, iremos refletir sobre a oração: pressuposto fundamental para a orientação espiritual.

Pe. Edson Alves da Costa, C.Ss.R

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