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QUINTO
DIA:
São
Geraldo e o Cristo Crucificado.
Definição:
- Completa em
si a paixão de Jesus, pelo testemunho nas doenças, privações, frustrações
da vida.
- A cruz.
Fatos da vida de São Geraldo:
- A última
doença em que ele se esvai de fraqueza;
- Quanto mais
duro o sofrimento mais claro o testemunho: jejuns, cilícios, disciplinas.
- A encenação
da paixão pelo jovens de Muro. Geraldo aceita o papel de Cristo e o vive
tão intensamente que Dona Benedita desmaia.
Textos bíblicos: 2Cor 11, 23 - 26 Mc. 8, 31 – 35.
Sugestão prática:
- Simbolizar
na cruz os crucificados de hoje.
- Entrar com
uma grande cruz (como um cruzeiro) trazido por homens e mulheres. Ao invés
dela vir do fundo para o altar, a missa começaria com os sacerdotes e
esses homens, mulheres, crianças no altar. No Ato Penitencial, ela seria
levada para o meio da praça, como sinal da redenção que vai ao encontro
de todos, como dom do Amor de Deus.
5. São
Geraldo e o Cristo Crucificado
Por que será que os santos se sentem tão atraídos pela cruz de Cristo?
Por que se centram na paixão? Afonso recomendava a meditação sobre a
paixão. Hoje nós dizemos que a vida inteira de Cristo nos salvou e que só
entendemos a sua cruz à luz do que foi a sua história. A teologia
recuperou o conjunto da vida de Cristo. Por que, então, insistir em Jesus
Crucificado? Talvez porque na cruz seu amor se revele de maneia mais total
e absoluta. Um amor que chega ao ponto de dar a vida, assumindo uma morte
trágica e dolorosa, não pode nos deixar indiferentes. Afonso se sente
atraído pelo mistério do amor que aceita passar pela cruz. A vida cristã
não é senão resposta a este amor. “Amor pede amor”.
É neste espírito que Geraldo se identifica com o crucificado. O amor o
atrai. Quer sofrer por quem sofreu por ele. Não busca o sofrimento por
masoquismo. Quer apenas retribuir com a mesma moeda. Quer unir-se a Cristo
que sofre. Por isto, faz renúncias, sacrifícios, penitências. É a
forma que encontrou, no seu contexto cultural, de amar. O amor cristão,
como o amor humano, assume formas próprias da época em que se situa.
Nosso modo de amar é determinado por nossa cultura, de certo modo. Não
julguemos Geraldo com nossos critérios. Não servem para seu contexto.
Ele só queria identificar-se com Jesus. E o mais duro é aceitar a cruz
quando ela vem pelas mãos duras dos homens. O mais bonito em Geraldo é
sua acolhida dos sofrimentos cotidianos. Presentes na vida de todos nós.
Geraldo os acolhe “das mãos de Deus”. Deus os envia? Assim pensam os
santos. Nós podemos aceitá-los e permitir que Deus os use para nossa
transformação. Se é verdade que Deus não os quer, também não é possível
evitá-los. O mais importante é “para que” sofremos e não
“porque” sofremos. Geraldo sofreu “para que” sua vida se
assemelhasse a de Cristo.
Mas Geraldo carregava não só os próprios pecados que, aliás, ele não
tinha. Carregava os pecados daqueles que encontrava durante suas andanças.
Aqueles que ele converteu. Sofria a paixão de Cristo pela salvação do
mundo. Solidariza-se com os homens até no sofrimento. “Completou na sua
carne o que faltou ao sofrimento de Cristo”, pela salvação da
humanidade. Carrega as dores dos outros. Sofre pelos pecadores.
Enfatizar: ótima oportunidade para tocar na questão
do sofrimento, pois se trata de um elemento chave na vida de Jesus, de
Geraldo e de todos nós. Não se trata de dizer que Deus “quer o
sofrimento”, mas “o que Deus pode fazer conosco no sofrimento”.
Quando nos abrimos à sua graça, o sofrimento nos purifica e nos revela o
essencial. Nossa transformação vem de nossa abertura a Deus quando
sofremos. É neste momento que Ele pode mais, porque nossa fragilidade
cria o espaço para sua ação. Nosso povo anda muito sofrido e muita
gente tem que enfrentar “duros inevitáveis”. Geraldo pode ajudar a
entender o sofrimento como configuração a Cristo e a transformação
maravilhosa que vem daí. Pode-se insistir na dimensão da solidariedade
com os sofredores desta vida.
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