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Bíblia Católica Online


TERCEIRO DIA:

 

São Geraldo e Jesus operário como modelo de vida.

Definição:

- Operário: trabalha ganhando salário para servir e transformar o mundo.

 

Fatos da vida de São Geraldo:

- Empenho na construção da casa de retiros em Iliceto.

- Geraldo pedinte para a construção da casa de retiros de Materdomini.

- Geraldo porteiro acorrendo ao primeiro chamado.

- Geraldo e os serviços domésticos à Comunidade Redentorista.

 

Textos bíblicos: 2Tes 3, 6-12 Mt. 25, 14 – 29.

 

Sugestão prática:

- Arrecadação de alimentos para os necessitados.

- No Ato Penitencial entrar três pessoas: uma com os olhos vendados, outra com a boca tapada e outra com as mãos atadas, simbolizando a situação dos trabalhadores.

- No ofertório, entrar símbolos de algumas profissões: agricultura, educação, medicina, etc.

 

 

3. São Geraldo e Jesus trabalhador


Quando pensamos na vida de Geraldo, o imaginamos sempre em contemplação estática, alheio ao esforço de ganhar a vida. Como se Deus o sustentasse materialmente, uma vez que vivia em profunda comunhão espiritual com Ele. Nada disso. Órfão aos 12 anos, teve que aprender a trabalhar para ajudar no sustento da família. Depois da morte do pai, torna-se o homem da família. Suas mãozinhas de menino serão obrigadas a segurar a agulha, a régua e a tesoura para continuar a profissão do pai. Será alfaiate, como queria a pobre mãe. Sofreu no ofício de aprendiz de alfaiate. O dono da alfaiataria em que estava matriculado era um homem bom e generoso, mas seu ajudante, responsável pelos alunos, tinha temperamento difícil e não se simpatizava com Geraldo. “Certa manhã, o brutamontes (professor de Geraldo) arrancou de suas mãos uma peça de costura, que este alinhavava, e desfez tudo, tudo com um arranco. Esfregou-lhe a peça no rosto e gritou-lhe: ‘veja a porcaria que andas fazendo!... Lesma! Nada fazes direito!”. Geraldo, humilde, reponde-lhe: “ensina-me, então, senhor! É que ainda não sei...” E então Geraldo apanhou de seu mestre: “murros, pontapés, pescoções.”

Basta este episódio para mostrar-nos o quanto foi difícil a vida de Geraldo. Muito semelhante a de muitos irmãos nossos. Obrigado a ganhar a vida, assume uma profissão simples e humilde, a de alfaiate, e sofre todas as humilhações possíveis. É um injustiçado de seu tempo. O que encanta é sua maneira de lidar com sua situação pessoal. Não perde a dignidade. Não se revolta contra Deus. Aceita tudo por Jesus Cristo. Perdoa os que o ofendem. Claro que Geraldo não compactua com o contexto de injustiça no qual vive. Sabe que esta não é a vontade de Deus. Deus quer um mundo melhor para todos. E é o que os cristãos devem buscar. Geraldo não tem condições de gritar contra a injustiça do mundo. As coisas naquele tempo eram bem mais difíceis do que hoje. Os pobres e humilhados não tinham mesmo vez e voz. Como hoje, aliás. Não podiam lutar por salários mais justos. Geraldo ganha o suficiente para se sustento e de sua família. Sem carteira assinada e sem nenhum direito.

O que encanta neste contexto é sua vida. Ela mesma é um grito de protesto, uma profunda crítica às injustiças de sua época. Sua solidariedade com os pobres se dá não no nível do discurso, certamente importante, mas no nível da profunda solidariedade com os que sofrem. Ao escolher ser redentorista, escolheu a pobreza e os pobres. Não podia libertar os pobres da opressão, então quis servi-los, viver do jeito deles, estar com eles, ajudá-los em suas necessidades. Foi um verdadeiro “bom samaritano”. É impressionante a generosidade com que Geraldo atendia às necessidades dos pobres. Claro que seu primeiro objetivo, como religioso, era levar a salvação de Cristo a todos. Mas o anúncio da salvação tem um conteúdo histórico muito preciso: “proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a recuperação da vista”. E ainda: “devolver a liberdade aos oprimidos” (Lc 4, 18).

Enfatizar: Como Jesus, Geraldo foi um trabalhador. Neste sentido sua vida nada tem de especial. É mais um que sofre as injustiças de seu tempo. Não é um preguiçoso que espera tudo do céu. Vai a luta para ganhar a vida e ajudar a família. Encontra Deus nas situações mais corriqueiras da vida. Reza e trabalha: poderia ser seu lema. Como cristão e religioso, escolhe a pobreza e os pobres, exatamente como Cristo. Costumava dizer: “os meus pobres” ou “os pobres de Jesus Cristo”. No seu enterro, estes mesmos pobres gritavam: “Perdemos o nosso pai!... Morreu o nosso bem feitor”. O cristão, como Geraldo, é chamado a fazer do trabalho um lugar de santificação pessoal. Deus quer que todos tenham trabalho, porque através dele o homem e a mulher se constroem. É uma forma de santificar o mundo e a si mesmo. Mas o cristão está quase que obrigado a pensar nos que não tem trabalho. É chamado a ser solidário com aqueles que não têm o que comer. Também deve lutar para uma sociedade mais justa, em que todos possam ter direito a trabalho e salário justos. Geraldo hoje lutaria por isto. Ele fez o que na sua época foi possível. Hoje faria diferente, agiria com os meios que oferecem o mundo atual.

 

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