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Queridos
internautas amigos de São Geraldo,
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Iniciamos o tempo da quaresma rumo à Páscoa. É a
grande travessia da fé, onde revisaremos nossa vida com o próximo,
Deus e mundo. Concretamente, a Igreja do Brasil propôs para os cristãos
o tema da Campanha da Fraternidade – “Economia e Vida”
e o lema – “Vocês não podem servir a Deus e ao
Dinheiro” (MC 6,24) durante toda a quaresma.
Nesse grande retiro espiritual, prolongado por 40 dias e 40 noites, a
exemplo de Cristo no deserto antes de iniciar sua missão e de outros
personagens bíblicos (como Elias, Moisés, Ninivitas etc.),
estamos atrelados às três dimensões da quaresma. São
essas as dimensões: a oração em relação
a Deus, a esmola em relação ao próximo e o jejum
em relação a nós mesmos, para uma autêntica
santificação e conversão.
Diante de questões pertinentes aos cristãos e não
cristãos, a Igreja do Brasil propõe com a Campanha da Fraternidade
um olhar crítico para a economia, que tem tido mais preocupações
com os números do que propriamente com a dignidade humana, através
da concentração de riquezas. Por exemplo, o consumo é
o grande vilão do novo milênio, o qual tem gerado angústia
e insatisfação nas pessoas, que mesmo tendo coisas não
conseguem ser felizes. Elas põem suas seguranças no “ter”
e não em Deus e nem no “ser”.
A economia e vida não são realidades interligadas, pois
a primeira favorece quem consume e a segunda que é um direito de
todos está sendo confundida com programas assistencialistas governamentais.
Existe muita miséria, violência e pobreza, apesar de significativos
avanços sociais, que ainda continuam desfigurando e crucificando
os pobres. Tudo isso fere os princípios da Constituição
Brasileira e Sagrada Escritura.
Nesse contexto da quaresma a reflexão cristã é ampliada
com a percepção de que o particular está no todo
e vice-versa, onde o caminho da solidariedade pode aproximar a economia
e vida em níveis sociais, eclesiais, comunitário e pessoal.
A pedagogia da Campanha da Fraternidade visa educar os cidadãos
para um estilo de vida simples e solidária; denunciar todo tipo
de acúmulo de riquezas através da ganância, do orgulho,
da exploração no trabalho e destruição do
planeta; conclamar pessoas e grupos, instituições e organizações
não-governamentais para discutir a Lei 9433 sobre os recursos Hídricos
que transforma a água, vital à sobrevivência e agricultura,
em mercadoria de venda, o que prejudica os pequenos proprietários
de terra; a promoção de abaixo-assinados em favor da reforma
agrária, dado que 3% das pessoas mais ricas concentram 56,7% da
terra produtiva no Brasil; a coleta da solidariedade no Domingo de Ramos
em vista do apoio da Igreja do Brasil aos projetos sociais.
Em outras palavras, acreditar que mudanças só acontecem
quando somos sensibilizados no coração para com a inteligência
orar, discutir e propor alternativas de fé e vida aos homens e
mulheres, filhos e filhas de Deus, em um mundo dado como dom, dádiva
e presente à humanidade, inspirados no Cristo. Cuidar do mundo
e do próximo é um imperativo ético que se impõe
aos cristãos, para que a economia e vida não estejam em
lados opostos como se fossem antônimos de riqueza e pobreza.
Padre
Souza, C.Ss.R.
Reitor da Basílica São Geraldo
Curvelo/MG
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