Ao buscar compreender o que é a boa-fé, tentemos rasamente compreender a origem dessa expressão para darmos validade ao termo. A palavra Fé origina-se do grego pí•stis, que transmite a idéia de confiança, fidúcia, firme persuasão. Por sua vez, a palavra Boa vem do latim bona e é o feminino de bom, adjetivo usado para destacar qualidade de bondade, misericordioso, nobre, distinto, dentre outras tantas definições.
Ao unir as duas palavras, apesar de origens diferentes: uma grega e outra latina, nasce a expressão boa-fé, fruto da diversidade, mas embebida de belo siginificado, qual seja: sinceridade.
Agir de boa-fé, pois, é agir com sinceridade. Dessa forma, quando erramos sem querer errar, pensando que estamos fazendo a coisa certa, sem ter a mínima noção de que nossa ação causa danos a outrem, por pura ignorância nossa, provavelmente estaremos amparados pelo princípio da boa-fé.
Por isso, muitas vezes confiamos que estamos fazendo a coisa certa, sem perceber que no fundo de nossa ação magoamos, ferimos ou prejudicamos outra pessoa. Da mesma forma que outras pessoas podem nos magoar, ferir ou nos prejudicar, também confiantes que agem corretamente, ou seja, que agem de boa-fé.
Portanto, não nos cabe julgar uns aos outros, mesmo se aos nossos olhos o outro agiu de forma errada, pois na terra do coração nenhum de nós, humanos, consegue pisar. Lado outro, podemos e devemos perdoar, caso sejamos prejudicados por alguém que insiste em dizer que agiu de boa-fé. Se o agressor invoca o princípio da boa-fé e o faz sinceramente, é porque confia na misericórdia, na bondade, na nobreza da nossa reação: busca o perdão.
Ora, ter fé é acreditar piamente em alguém ou alguma coisa, sem mesmo ter provas de sua existência ou da sua influência em nossa vida. É a própria confiança, base de todo relacionamento inter-pessoal. Ser bom é carregar o olhar de luz e ternura para ver outro ser humano. Ter boa-fé, portanto, é confiar no olhar humano.
A título de reflexão final, fica o pedido para analisar o princípio da boa-fé como regra de vida e não exceção, como fazemos no nosso dia-a-dia.