Atualmente, acredita-se que grande parte da humanidade está às ordens do Tempo. Tempo conforme marcado no relógio, na folhinha pendurada na sala, nos dias corridos de nossa agenda profissional e, até mesmo nas marcas temporais grafadas nos vencimentos das contas de luz, água, telefone, cartão, armazém, açougue. Enfim, vive-se a era da hora marcada.
Hora para ir a Igreja, hora para almoçar, hora para trabalhar, hora para conversar, hora do lazer, hora da conversa séria, hora da novela, hora do banho, hora do médico, hora da terapia. A cronometrada vida vai se sucumbindo no dia-a-dia sem ser percebida por nós.
Instantes aqui e acolá, temos a percepção de que algo está errado. Falta alguma coisa em nossa vida. Mas sacudimos a cabeça e não damos atenção para estes pensamentos. Não queremos refletir e concluir que Viver tornou-se uma monótona rotina e como tal, sem graça e sem entusiasmo.
No entanto, deve-se nestes ‘momentos de Luz’ lembrar dos remotos tempos de alegres e inesperados encontros com amigos, parentes e comunidade. Aquele tempo da escola, cheio de trabalhos interessantes para fazer. Ou ainda, quando os grupos de reza se encontravam, sempre andando de casa em casa, permitindo a prática da acolhida e da hospitalidade. Tinha as épocas festivas, com as comemorações em honra aos santos e santas de nossa devoção, oportunidade em que dividíamos o trabalho com animadas equipes, momento de aprender a trabalhar em comunhão com o próximo, aceitando as limitações uns dos outros. Vivia-se o prazer das pequenas coisas, as quais hoje, para muitos, estão sucumbidas pela hora marcada de ir ali e acolá. Nossa preocupação de hoje se baseia em levar comida para casa e pagar as contas corriqueiras de aluguel, água, luz e remédios. O papo agradável com os amigos virou artigo de luxo. Depois da missa, quando tem-se tempo para ela, precisa ir rapidinho para casa, porque a vida não pára.
Tenha a certeza de que algo está errado. O tempo está voado e você ainda tem muita coisa para fazer. Como? Quando? Queira gastar seu tempo com coisas que lhe são aprazíveis. ‘Perca’ mais tempo fazendo o que importa de verdade: amar o próximo. Acredita que muitas pesquisas confirmam que no leito de morte, as pessoas recordam-se do afeto que ofertaram e do amor que receberam. Lembram-se, na despedida final, apenas das alegrias vividas e das risadas dos filhos. Lembram-se dos emocionantes encontros com os amigos, comemorando o amor ao próximo. E, choram o tempo perdido com as horas marcadas.
Jesus ensinou a comemorar a vida! Ele sempre buscou partilhar com seus amigos os momentos mais importantes e, ao visitar as amigas Marta e Maria, deixou-nos uma boa dica: ‘fique com a melhor parte!’
Por isso Amigos, sejam compromissados com a alegria, dedicando atenção aos fraternos e às boas conversas. Há tanta coisa boa para conversar. Exemplos disso é relembrar os bons tempos, incentivar novos tempos bons e desmecanizar o viver do dia-a-dia, o qual deve ser simples, como o Sagrado Coração e rico de amor fraternal. Afinal, o Tempo é de Amar!